Discurso do presidente “encarnado”
Luís Filipe Vieira: “O futebol deve respeitar a Lei do país que representa”
O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, inaugurou este sábado as Casas do Benfica em Loulé e em Quarteira, onde analisou o actual momento da Federação Portuguesa de Futebol. Leia o discurso na íntegra.

“Não posso esconder a minha profunda satisfação por estar aqui hoje, por continuar a testemunhar a profunda renovação e a dinâmica que estamos a conseguir implementar nas Casas do Benfica espalhadas por todo o país.

Quero, por isso, agradecer, na figura dos Presidentes das Direcções das Casas de Loulé e Quarteira, a todos quantos tornaram realidade o projecto que hoje inauguramos. A todos o meu muito obrigado pelo vosso esforço e pela vossa dedicação.

Sempre o disse e sempre o defendi: As Casas do Benfica devem ser sempre uma prioridade. Porque a defesa do Benfica começa aqui, começa nestes espaços onde se vive e defendem os valores e a história do Clube!

Esta foi – recordo – uma opção assumida desde a primeira hora, porque sempre tive muito claro a importância que estas “embaixadas” do Benfica têm na defesa do nosso clube, da nossa identidade.

Este processo de renovação representa mais um sinal da vitalidade e do caminho que queremos percorrer. Tenho orgulho no trabalho realizado. Tenho orgulho no caminho que temos vindo a percorrer.

Sempre foi e sempre será esta a nossa postura: nunca virar costas aos problemas. Inovar, contornar as dificuldades, fazer e pensar, hoje, o futuro! Foi assim que a história do Benfica se fez!

Uma das coisas boas de desempenhar as funções que hoje tenho, é a possibilidade de encontrar soluções, de ‘inventar’ alternativas, de pensar, todos os dias, o futuro do nosso Clube. É um desafio que me entusiasma e podem ter a certeza de que as minhas convicções permanecem fortes e sólidas, e vou segui-las sem vacilar!

Quem quer ser líder deve saber que não pode hesitar, mas também deve saber que não pode decidir a quente, que não se deve deixar levar pelas emoções do momento. Foram lições que também aprendi do passado.

Recordo que muitos não acreditavam que fosse possível o Benfica ter um canal de televisão próprio, que muitos não acreditavam no processo de renovação das nossas Casas, que não acreditavam na possibilidade de construir o nosso Estádio ou o nosso centro de estágio, que não acreditavam que o Benfica pudesse ser a primeira instituição em Portugal a usar o voto electrónico. E, no entanto, tudo isso foi possível.

Um líder não pode – não deve – desistir a meio, não pode abandonar quando a tempestade é mais forte, porque é precisamente nessa altura que o líder é mais necessário.

Quem quer ser líder deve ouvir, mas deve decidir pela sua cabeça.
Recordo que ainda bem recentemente, havia vozes que contestavam o nosso treinador. Mas eu sempre soube da sua qualidade, do seu trabalho e da sua total dedicação ao projecto.

As coisas não estavam a correr bem, mas eu sabia que havia de chegar o momento em que a situação se iria inverter. Sabia que apesar de algumas arbitragens de início de época, conseguiríamos voltar a sorrir.

É isso que faz um líder, a necessidade de resistir quando muitos apontam para o caminho mais fácil. Espero que este episódio nos sirva a todos como lição para o futuro. Nem sempre o caminho mais fácil é o que melhor serve os interesses do Clube.

O meu compromisso é com o Benfica, com o nosso presente e com o nosso futuro.
Foi esse o desafio que assumi em 2003.

E é exactamente por isso que estou preocupado com a actual realidade da Federação Portuguesa de Futebol. Permitam-me, por isso, a finalizar uma palavra final em relação a este problema.

Não posso admitir que o Benfica possa vir a sofrer quaisquer tipos de consequências resultantes da irresponsabilidade de alguns dirigentes associativos que não estão preocupados com o futebol, mas apenas com os seus privilégios, com os seus interesses, com os seus lugares. Como se o futebol fosse um entreposto de interesses corporativos.

Dirigentes associativos – felizmente poucos – que não parecem preocupados com a vontade dos clubes, mas sim com os seus privilégios pessoais.

Nunca devemos perder a memória das nossas acções, e eu nunca a perco, mas também tenho bem presente a memória de algumas acções que outros praticaram no passado e a contradição gritante com aquilo que não fazem no presente.

Lembram-se – por exemplo – do empenho, da determinação, do que disse e do que fez, um determinado membro do actual governo, no caso Nuno Assis?

Lembram-se – por exemplo – do empenho, da determinação, do que disse e do que fez, um determinado membro do actual Governo, no caso Carlos Queiroz? Eu lembro-me!

E agora, esse mesmo senhor vem dizer que o Governo não pode entrar pela Federação Portuguesa de Futebol? O problema é que entrou no caso Queiroz, o problema é que não descansou no caso Nuno Assis.

Mas que Governo é este que não consegue aplicar a Lei que fez? Que governante é este que se demite das suas funções quando mais necessário é?

O Ministro que tutela o Desporto tem de intervir, tem de assumir que o futebol não serve apenas para aparecer nas fotografias da Selecção, mas que o futebol deve respeitar a Lei do país que representa.

Lavar as mãos nunca é um bom argumento político. Pactuar com a irresponsabilidade de algumas associações de futebol é render-se a ilegalidade e ao compadrio que tem marcado o futebol português nos últimos anos.

Viva o Benfica e parabéns a todos por mais uma etapa cumprida na renovação das nossas Casas!”

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