Discurso do Presidente na Gala do 107.º aniversário
Luís Filipe Vieira: “Sem memória não existimos”
O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, destacou esta segunda-feira a importância de celebrar a história e a identidade do Clube, na Gala do 107.º aniversário, que decorreu no Salão Preto e Prata do Casino Estoril. Leia o discurso na íntegra.Luís Filipe Vieira: “Sem memória não existimos”
“Este é o dia em que celebramos a nossa história, a nossa identidade, os nossos valores. O dia em que devemos homenagear o esforço e a memória daqueles que, sem o seu empenho e a sua dedicação, não estaríamos a celebrar o Clube que hoje somos.
Sem memória não existimos, por isso temos a responsabilidade de cuidar dessa memória. Somos o Maior Clube do Mundo porque uma das nossas principais riquezas é a nossa história.
É por isso que devemos ser gratos com aqueles que a escreveram. É por isso que tenho feito questão em homenagear, ao longo dos meus mandatos, as nossas referências, porque este é um Clube com memória e grato com todos aqueles que com o seu esforço construíram a grandeza do Benfica.
Permitam-me, por isso, a iniciar esta cerimónia que faça referência a um dos maiores símbolos do Clube, a um homem em cujo exemplo e acção me reconheço, a um homem que viu muito para além do seu tempo, a um homem que ousou sonhar há 107 anos atrás o maior Clube do Mundo.
Como sabem, estive esta manhã no Cemitério dos Prazeres, no jazigo de Cosme Damião, numa homenagem simples, a alguém cuja simplicidade o impediu – sendo o mais carismático dos nossos fundadores – de ocupar o lugar da presidência.
Este é um Clube grato e também, por isso, é que é um Clube diferente de outros.
Queria, a iniciar esta intervenção, dizer-vos que vou propor à Direcção do Sport Lisboa e Benfica que o futuro museu do Sport Lisboa e Benfica leve o nome de Cosme Damião.
Honrar o nosso passado dignifica o nosso presente, é por isso que este dia tem significado. Mas este é, igualmente, o dia em que temos de assumir os desafios e as dificuldades que estão para chegar e que exigem de nós uma enorme capacidade de resposta e uma grande unidade interna.
A melhor homenagem que podemos prestar à nossa história é continuá-la, com optimismo, com confiança e com a vontade de mudar o que tivermos de mudar.
Uma pessoa tem convicções, vive com elas. Eu tenho as minhas e foi com elas que cheguei até aqui. Sempre falei verdade aos benfiquistas, nunca iludi as dificuldades, nem prometi mais do que podia. Aliás, o único que sempre prometi foi trabalho, e foi assim que chegamos aqui.
É preciso rigor na preparação do futuro e realismo na gestão do presente. Nem tudo pode ser feito ao mesmo tempo e nem tudo sairá sempre bem.
É por isso que, neste dia, quero repetir algo que tenho dito ao longo dos últimos anos: Não é possível resolver todos os problemas ao mesmo tempo, nem podemos satisfazer todas as expectativas. Temos de ter paciência e não nos desviar do caminho proposto.
O Benfica da última década mudou profundamente. Durante anos lutámos por ideias, projectos, reformas desportivas. Continuamos a lutar contra certos comportamentos que ainda resistem no nosso futebol. E tudo isto só foi possível porque, pouco a pouco, o Sport Lisboa e Benfica recuperou a sua força e a sua credibilidade.
Houve debate, muitas vezes divergimos, mas sempre que foi necessário o Benfica uniu-se.
Foi de tudo isto, de debate, de consenso e de discussão que se construíram as bases deste novo Benfica, porque este Clube sempre foi democrático, é um Clube que vive bem na diferença, que não silencia aqueles que discordam ou pensam de forma diferente.
Olhando para trás, podemos dizer que perdemos alguns anos da nossa história. Anos em que, independentemente das razões, não conseguimos aumentar o nosso património desportivo, chegando mesmo a um ponto em que a nossa continuidade enquanto instituição esteve ameaçada.
Mesmo sem ganhar, desportivamente, nunca perdemos a noção dos nossos valores. Foi isso que fez a nossa mística.
A nossa mística fundou-se, e reforça-se a cada dia que passa, numa coisa simples: respeito.
Mesmo sem ganhar, desportivamente, nunca perdemos o país, porque sempre respeitámos o futebol, os adeptos e os adversários.
Sempre cumprimos as regras, nunca tivemos qualquer complexo e, principalmente, nunca precisámos de omitir o nome do adversário ou de não mostrar a sua bandeira. Isso são manobras de quem não tem ética, de que não percebe o futebol, mas, principalmente, de quem não percebe a dimensão da própria instituição que dirige.
Nós temos outra grandeza e outra alma. Temos outra forma de pensar e de agir e é por isso que somos o Maior Clube Português.
O Benfica tem a ver com pessoas. Tem a ver com determinação, com ambição! Tem a ver com trabalho, com empenho, mas tem, essencialmente, a ver com dignidade!
É esse o segredo do Benfica: é um clube que soma, que agrega, é um clube dos seus sócios e adeptos, mas é, sobretudo, um Clube de Portugal.
Uma das minhas principais preocupações quando cheguei ao Sport Lisboa e Benfica, pela mão do meu amigo e Presidente Manuel Vilarinho, foi delinear uma estratégia de recuperação e valorização do Clube.
Volvidos três anos, quando assumi a Presidência do Benfica, dei continuidade a esse pensamento estratégico, assumi a prioridade de profissionalizar toda a estrutura do Benfica, de crescer na sua base: os sócios. De avançar com o nosso Centro de Estágio, de apostar e reforçar o nosso investimento nas modalidades, de avançar para um projecto tão inovador e tão ousado em Portugal, como a Benfica TV. Enfim, é uma história longa que – vista hoje – parece fácil, parece simples, mas não foi.
Creio que hoje, sem falsas modéstias, posso assumir que parte do trajecto está cumprido. Mas como é próprio do Sport Lisboa e Benfica, este Clube aspira sempre a tudo, por muito difícil que pareça. Não somos – porque nunca fomos – de desistir, e assim continuaremos!
O que orienta a nossa acção nos dias de hoje são os mesmos valores de quem em 1904 iniciou esta caminhada. Temos o dever e a obrigação de honrar esse compromisso.
Temos a ambição e a ilusão de corresponder àquilo que Cosme Damião ambicionou.”

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